terça-feira, 26 de maio de 2020

O Brasil pela Metade
A obra de Pedro Américo, retratando Dom Pedro I no Grito do Ipiranga no dia 7 de Setembro de 1822, possivelmente poderia ser o retrato oficial do Brasil pela Metade.
Um príncipe português proclama a Independência do Brasil e, posteriormente, retorna à Europa para assumir o trono de Portugal. Só no Brasil poderíamos achar tudo isso normal.
No final do século XIX, quando meus ancestrais paternos chegaram da Itália e se estabeleceram como colonos no interior do Estado de São Paulo, eles perceberam realmente que o Brasil é um país pela metade. Posteriormente, meu avô paterno italiano também entendeu perfeitamente que tudo no Brasil é pela metade, quando teve que defender a honra da família e ratificar a propriedade dos quarenta alqueires do meu bisavô, anteriormente já registrados em cartório. Como o seguro morreu de velho, meu avô paterno italiano precisou aportuguesar seu nome para garantir a existência de sua prole. Provavelmente, escrevo estas linhas em 2020 graças aos nobres atos de meu avô italiano.
A Proclamação da República foi feita por um monarquista, as capitanias hereditárias se transformaram em estados democráticos de fachada e, pasmem, a escravidão foi extinta por monarquistas escravocratas. Mas, como no Brasil todas as coisas são feitas pela metade, tudo virou normal.
Aliás, meu pai sempre diz que as pessoas no Brasil fazem tudo pela metade. Deve ser mais uma frase herdada dos meus ancestrais italianos, quando entenderam que no Brasil as coisas são bem extravagantes.
Depois de 520 anos, começo a perceber que o Brasil é um país que poderia sofrer ou se regozijar por ser um país pela metade. Nossa Constituição dá poderes imperiais aos Três Poderes da República. Mas, em contrapartida, podemos utilizar o direito subjetivo para mudar tudo, o tempo todo.
Talvez, se o Brasil utilizasse o direito romano, tudo seria muito melhor ou infinitamente pior. Mas, provavelmente nós nunca saberemos de fato e, esta será mais uma das tantas dúvidas eternas brasileiras. Será que deveríamos ter sido colonizados por chineses, ingleses, franceses ou holandeses? São dúvidas que sempre reaparecem, como a restauração da monarquia ou a volta da ditadura, entre outras tantas.
Mas, o fato de sermos um país ainda em construção, uma mistura de Bélgica e Índia como disse o Professor Edmar Bacha, talvez coloque o Brasil em situação privilegiada no Novo Normal que se avizinha.
Claro que tudo dependerá de diversos fatores internos e externos. Mas, acredito piamente que nós brasileiros temos vantagens internas enormes e pequenas desvantagens externas para darmos o tal falado salto quântico. Chegou a hora de o Brasil assumir a posição de quinta economia mundial.
Depois de tanto tempo sendo chamado de quinto dos infernos, o Brasil poderá se transformar na quinta economia mundial. Uma grande ironia.
Com oitocentos e cinquenta milhões de hectares de área total, quase quinhentos milhões de hectares de Florestas Nativas, a maior Biodiversidade do Planeta Terra, as maiores Bacias Hidrográficas do mundo, uma Agricultura moderna, um sistema de telecomunicações de primeiro mundo, um parque tecnológico de invejar qualquer um e uma população heterogênea e empreendedora, o Brasil possui todos os requisitos para se tornar a potência do século XXI.
Compreendo perfeitamente que o Brasil não receberá o título de quinta economia mundial somente por suas virtudes e méritos, mas será inevitável que isto aconteça até o ano de 2025. Acreditem se quiserem...
Carlos Aranha
Araçatuba, 26 de maio de 2020.

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